A vida dentro e fora não é mais fronteira, é trânsito frequente nas moradas contemporâneas. Ambientes da mostra catarinense reforçam o momento de ambientar-se com o todo ao redor
A proximidade com o verde virou necessidade na rotina de muitas pessoas. Após o período de isolamento social, a conexão com a natureza mostrou ser fundamental para a qualidade de vida. Dos comportamentos emergentes, o cultivo de plantas em casa ou apenas a presença delas aumentou consideravelmente e aqueceu o setor nos últimos recentes anos.
Não à toa, na principal vitrine de arquitetura, interiores, design e decor, a natureza está envolta da edificação centenária que acolhe essa edição de CASACOR/Santa Catarina, até 30 de outubro, na Escola Silveira de Souza, em Florianópolis.
Crédito Denilson Machado
A começar pelo “Jardim Bem-Te-Vi” da arquiteta e paisagista Ana Trevisan do escritório Ana Trevisan | Espaços Vivos. O bioma de Mata Atlântica ordenou a remoção de espécies invasoras e exóticas – com o apoio da Floram – e inseriu a flora nativa para promover o serviço ecológico para a região. A partir do canto e da imagem do pássaro Bem-Te-Vi, protagonista da narrativa, a paisagista quer sensibilizar para essa presença – muitas vezes invisível – nos centros urbanos. Atentar-se ao canto dos pássaros, vê-los em bandos a usufruir do verde, traz conexão potente com as pessoas. Afinal, cuida-se do que desperta afeto e pertencimento.
Crédito Lio Simas
A bilheteria chamada de Espaço MOVAE assinada pelo escritório Alpes Arquitetura também aposta no gesto de respeito à vida que ali se encontra há mais de 100 anos. As jaqueiras centenárias emolduram o primeiro ambiente de acesso da mostra catarinense, a estrutura metálica e envidraçada não compete com a arquitetura da edificação. Quase que se mimetiza para não ofuscar a beleza toda ao redor, em referência ainda a história ali erguida.
Crédito Lio Simas
Assim como a Casa 15, de autoria dos arquitetos Daniel Ghizi e Carolina Zettermann de Almeida. A morada construída do zero conecta-se com todo o jardim, inserida entre duas grandes árvores do patrimônio tombado. Sem colocar nenhuma árvore abaixo.
Crédito: Mariana Boro
“Eu sou daqui, eu não sou de Marte“, criação da F Arquitetos – Beto Gebara e Marila Filátiga em soma com a Terraço Paisagismo do arquiteto e paisagista Rodrigo Gheller direciona o olhar para a casa brasileira e a vegetação tropical. As referências em materiais como o cobogó, a relação entre interno e externo a passos dados dos visitantes promove a percepção de forma espacial.
Crédito Mariana Boro
A arquiteta Estela Cislaghi escancara a fronteira entre dentro e fora no Living CO-Existir. Além de espacialmente estabelecer uma conexão a partir da abertura total da porta, a profissional oferece um layout flexível para usos e os encontros.
Crédito Cristiano Bauer
Na Casa em Percurso bolada pela Octaedro Arquitetura, um oásis convida os visitantes a permanecer no local por mais tempo. O lago rodeado pelo verde atrai as pessoas e os pássaros que sobrevoam o local.
Crédito Denilson Machado.
Mesmo entre quatro paredes, a simulação de floresta ganha as superfícies verticais. Marcelo Salum adesivou seu living Chez Odara, um ambiente que ressalta a cultura nacional e a Música Popular Brasileira, com papel de parede da nossa rica flora e fauna e plantas em vasos que refrescam o corpo e olhar. Tropicalismo à flor da pele.
Crédito Mariana Boro
Na versão do que é um “Living”, o arquiteto Michael Zanghelini posicionou a bancada da cozinha para avistar o verde do jardim lá fora. Na rotina em casa, quem não gostaria de preparar as refeições de frente para a paisagem viva oferecida pelas janelas centenárias. Não ficou só na reta onde os olhos alcançam, o verde escolta o canto do sofá. Em composição com os materiais escolhidos pelo profissional como cristais, madeira e rochas, mexe com os sentidos de forma leve.
Crédito Denilson Machado
Até na Sala de Banho Paradiso Deca, as plantas ajudam a vibrar bons momentos de descanso e desconexão. A arquiteta Cris Delpizzo e o designer de interiores Giovani Delpizzo priorizaram o essencial em móveis, uso de cores e detalhes. É para desligar da vida profissional e mergulhar no corpo que transita pelo mundo.


