Para enfrentar aumento no número de fumantes, clínica de Balneário Camboriú lança programa de combate ao tabagismo

O Espaço de Saúde Bem Viver Dia, que será inaugurado em breve, na Praia dos Amores, em Balneário Camboriú, possuirá o Programa O₂, um suporte terapêutico especializado e interdisciplinar voltado aos pacientes do hospital dia que buscam tratamento da dependência do tabaco e de dispositivos eletrônicos para fumar (DEFs), como cigarros eletrônicos e “vapes”.

Pela primeira vez desde 2007, o Brasil voltou a apresentar um aumento expressivo no número de fumantes. Dados recentes do Ministério da Saúde mostram um crescimento de 25% entre 2023 e 2024, acendendo um alerta para a saúde pública. Além dos tradicionais cigarros, os “vapes” têm atraído o interesse dos jovens e contribuído para o aumento dessa estatística.

Apesar dos avanços nas políticas públicas de combate ao tabagismo, a região Sul do Brasil ainda apresenta a maior proporção de fumantes em relação às demais regiões, especialmente entre pessoas com transtornos mentais. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), através da pesquisa “NCDs at a Glance 2025”, publicado pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), cerca de 65% das mortes evitáveis por doenças nicas não transmissíveis estão ligadas a fatores modificáveis, entre eles o consumo de tabaco.

Outro problema que ganha destaque é o tabagismo passivo, que ocorre quando não fumantes convivem com fumantes em ambientes fechados. Segundo a médica pneumologista e professora de pneumologia da Universidade Federal Fluminense (UFF), Christina Pinho, adultos expostos regularmente à fumaça têm 30% mais risco de desenvolver câncer de pulmão e até 24% mais risco de sofrer um infarto. Crianças com pais fumantes também apresentam maior chance de desenvolver doenças respiratórias ao longo da vida.

Mesmo proibidos desde 2009 pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), os dispositivos eletrônicos para fumar continuam sendo usados no país. A edição mais recente da Pesquisa Nacional de Saúde Escolar, divulgada em 2019, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra que 16,8% dos adolescentes de 13 a 17 anos já experimentaram cigarros eletrônicos — percentual que sobe para 22,7% na faixa etária dos 16 aos 17 anos. Com o crescimento do uso dos DEFs, principalmente entre jovens, a indústria do tabaco vem renovando o perfil do fumante, o que torna as estratégias e formas de tratamento cada vez mais importantes.

Tratamento personalizado e interdisciplinar

O Programa O₂ do Espaço de Saúde Bem Viver Dia oferece um protocolo completo para avaliação e tratamento do tabagismo, com base em diretrizes da OMS, no Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do Tabagismo (PCDT) e nas recomendações da Sociedade Brasileira de Pneumologia.
Entre as abordagens estão:
• Avaliação clínica e psiquiátrica individualizada para identificar o grau de dependência e possíveis comorbidades;
• Suporte farmacológico;
• Acompanhamento interdisciplinar com psiquiatras, psicólogos, educadores físicos, enfermeiros e outros profissionais capacitados.

O médico responsável pelo programa, Dr. Tobias C. Beloni CRM 32459, destaca que a cura do tabagismo exige um acompanhamento especializado:
“O tabagismo não é apenas um hábito, é uma dependência complexa que aprisiona corpo e mente, silenciando a vitalidade e comprometendo o futuro. Reconhecer essa batalha interna é o primeiro passo para a vitória. Não se trata de fraqueza, mas de uma teia que, com a estratégia certa, pode ser desfeita, revelando a força que reside em cada um de nós. A jornada para a liberdade do cigarro pode parecer assustadora, mas é um caminho que não precisa ser trilhado sozinho. Cada passo, por menor que seja, em direção a uma vida livre do tabaco, é uma conquista. É nesse percurso que a sensibilidade e o suporte especializado se tornam faróis, iluminando as dificuldades e celebrando cada avanço, transformando a luta em um renascimento.”

O objetivo do Programa O₂ é promover a cessação do tabagismo, prevenindo problemas físicos e mentais causados pelo uso do tabaco. Entre os benefícios estão a melhoria na qualidade de vida, a redução de gastos com cigarros, a diminuição da exposição ao fumo passivo nos lares de fumantes e o aumento da eficácia de medicamentos psiquiátricos afetados pela nicotina. Além disso, o programa contribui para a sustentabilidade, reduzindo a poluição e os riscos ambientais relacionados ao cigarro.

Imagem ilustrativa/Foto: Divulgação/Freepik

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