
Até 11 de julho, com entrada gratuita, em Florianópolis (SC), o Instituto Collaço Paulo – Centro de Arte e Educação promove “Céu e Terra dos Andes”, uma mostra inédita que tem a curadoria de Andrés De Leo e Diana Castillo, ambos do Centro de Pesquisa e Conservação do Patrimônio da Universidade de Engenharia e Tecnologia (Utec), do Peru.

Os renomados especialistas convidados selecionaram cerca de 40 obras do núcleo de arte andina da Coleção Collaço Paulo, compostas por pinturas, objetos, artefatos, registros audiovisuais e materiais de ateliê sobretudo do século 18. A exposição convida o público a descobrir a riqueza espiritual, técnica e simbólica da arte da América Latina. A colaboração entre o Instituto Collaço Paulo e a Utec fortalece o intercâmbio acadêmico e cultural entre o Peru e o Brasil. A iniciativa conta com o apoio cultural do Utec, Sesi, Ibagy, Corporate Park e Paradigma Cine Arte.
Virgem da Solidão de Madri, ca. 1650, óleo e douramento sobre tela, 41,4 x 33,1 cm
Creditos – Eduardo Marques

Virgem de Pomata, ca 1700, óleo sobre tela, 154 x 110,5 cm
Creditos – Eduardo Marques

Virgem Fiandeira, 1700-1730, óleo s/tela, 83,5 x 68 cm.
Creditos – Eduardo Marques

Com expressiva visitação, a mostra se insere no objetivo institucional de promover o diálogo entre arte e educação na América Latina, e no compromisso da Utec em difundir o conhecimento do patrimônio cultural peruano em âmbito internacional. O recorte da coleção coloca em evidência obras de arte do vice-reinado, o período virreinal. Em 1543, a Espanha estabeleceu o Vice-Reino do Peru para administrar o Peru e controlar as terras sul-americanas como o Panamá, Colômbia, Equador, Paraguai, Argentina, Uruguai, parte da Bolívia e, em alguns períodos, a Venezuela.
Menino Jesus com Coroa de Espinhos, 1700-1730, óleo s/tela,
104,5 x 79 cm

Imaginário andino
Pela primeira vez no Brasil, em uma visita por “Céu e Terra dos Andes” e no programa Instituto Conversa, os professores doutores Andrés De Leo e Diana Castillo ajudaram a ampliar entendimentos. A mostra, segundo eles, entrelaça pinturas e representações de esculturas veneradas em santuários, nas hostes celestes, santos e anjos “reinterpretados no imaginário andino”. Cada trabalho integra uma urdidura europeia que nos Andes ganha novas agências, cores e significados. A pintura é apresentada para além da transposição de modelos europeus, afirmando a produção pictórica em sua força de reinterpretação, algo novo para a história, um percurso de arte entre a devoção terrena e a visão celestial.
A Supressão do Santo pelo Ornamento (2025), de André Griffo, óleo e acrílica sobre compensado naval, 203,5 x 147 cm

Em cinco núcleos, aprofundam-se os caminhos da feitura da arte virreinal, destacam-se as imagens de devoção, com composição de velas, flores e cortinas, a tradição dos anjos arcabuzeiros, guerreiros do céu representados com trajes cortesãos, as representações da batalha espiritual entre o bem e o mal, em cenas de doutrinação, e por fim, o ciclo mariano, da anunciação à coroação da “Rainha do Céu”.
O título sintetiza o conceito da mostra que, de um lado aponta para céu como o espaço celestial, local simbólico da fé cristã — o domínio angelical, das virtudes, dos ciclos marianos e da promessa de salvação — e de outro, convoca a terra como origem material, cultural e sensorial dessa produção – o povo produtor, da feitura por meio de pigmentos minerais e vegetais, as práticas locais e a reinterpretação indígena das formas europeias.
Arcanjo Miguel, ca. 1750, óleo s/tela, 140 x 98 cm
Creditos – Eduardo Marques

Única representação brasileira
A conexão entre tempos e realidades distintas, o passado e o contemporâneo, aparece na mais recente obra incorporada à Coleção Collaço Paulo. Recém chegada, sem o abandono do que está posto na proposta expositiva de arte andina, abre-se espaço em favor de uma representação brasileira do século 21 com “A Supressão do Santo pelo Ornamento” (2025), óleo e acrílica sobre compensado naval (203,5 × 147 cm), de André Griffo. Fluminense, formado em arquitetura e urbanismo, dedica-se às artes visuais desde 2009 com uma produção de esculturas, instalações e pinturas com as quais discute questões de dominação, controle e o poder da religião.
Com referências históricas e contemporâneas, o artista aborda as estruturas de violências, potencializa os detalhes, o pormenor. Sua vigorosa pintura pede atenção ao específico pois faz diferença na apreciação e reflexões suscitadas pela obra. No olhar atento, percebe-se o embaralhamento entre o documental e o ficcional que se contrapõe à hegemonia da história do Brasil, expondo ruínas e os impactos da economia escravocrata na formação brasileira, o perverso nas instituições religiosas, as imposições na criação simbólica de imaginários.
Exposição “Céu e Terra dos Andes”, curadoria de Andrés De Leo e Diana Castillo
Até 11.7.2026, seg. a sáb., 13h às 18h30
Instituto Collaço Paulo – Centro de Arte e Educação, rua Des. Pedro Silva, 2.568, bairro Coqueiros, Florianópolis (SC), tel.: (48) 3025-4058
gratuito
Realização
Instituto Collaço Paulo – Centro de Arte e Educação
Apoio
Centro de Pesquisa e Conservação do Patrimônio da Universidade de Engenharia e Tecnologia, Sesi, Ibagy, Corporate Park e Paradigma Cine Arte
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