Em Florianópolis, o SCFW reúne marcas catarinenses e nacionais entre 24 e 26 de setembro e aposta em coleções de verão, moda comercial e conexão direta entre indústria, mercado e consumidor
Muito antes de flashes, backstage e desfiles, o Estado já havia construído uma das cadeias produtivas mais relevantes do país, com tradição em fiação, tecelagem, malharia, confecção, vestuário, couro e calçados. É nesse território industrial que cidades como Blumenau, Brusque, Jaraguá do Sul, Gaspar, Joinville e outras regiões catarinenses ajudaram a transformar roupa em negócio, e, cada vez mais, negócio em marca.
Entre os dias 24 e 26 de setembro, o Santa Catarina Fashion Week (SCFW) chega à sua quarta edição, reunindo marcas catarinenses, grifes de outros estados, profissionais do mercado, compradores, imprensa, influenciadores e consumidores em três dias de desfiles, conteúdo, networking e negócios.
A escolha da capital catarinense não é apenas estética. Florianópolis funciona como uma ponte entre a identidade produtiva do Estado e um mercado cada vez mais conectado ao turismo, à economia criativa e ao consumo de moda. E talvez esteja justamente aí uma das grandes novidades desta edição: o SCFW não pretende apresentar uma moda distante do consumidor. A proposta é colocar na passarela roupas que chegam às lojas, aos closets e às ruas.

Segundo a FIESC, o setor têxtil, de confecção, couro e calçados é o que mais emprega na indústria catarinense e coloca o Estado como o segundo maior empregador nacional nessas atividades, com 15,84% dos empregos brasileiros do segmento. Santa Catarina também concentra 15,23% dos estabelecimentos brasileiros desse setor e lidera nacionalmente a produção de vestuário e acessórios, respondendo por 26,7% da produção brasileira.
No primeiro semestre de 2025, o segmento têxtil, de confecção, couro e calçados abriu mais de 6,1 mil novos postos de trabalho em Santa Catarina, permanecendo entre os maiores empregadores da indústria estadual.
E o movimento continuou em 2026. Apenas nos dois primeiros meses deste ano, o segmento registrou 4,6 mil novas oportunidades de trabalho, segundo o Observatório FIESC. Em janeiro, foram 3,5 mil novos postos no setor, que apareceu como o segundo maior gerador de empregos industriais do Estado naquele mês.
Em setembro, o público encontrará nas passarelas coleções de verão, em um momento estratégico do calendário comercial. São peças pensadas para o consumidor real, para a temporada que começa a chegar às vitrines e para uma moda que pode sair da passarela diretamente para o cotidiano.
A ideia ganha força com o Lounge Estilo FW, espaço que aproxima marcas e consumidores por meio do conceito see now, buy now, permitindo que produtos apresentados durante o evento sejam também expostos e comercializados. O desfile, portanto, deixa de ser apenas apresentação e passa a funcionar como ferramenta de venda, relacionamento e posicionamento de marca.
Entre os nomes catarinenses estão AYMEE Store, Gusso Ateliê, Gabbe, Léia Gerke, Soul Brechó, Sou Única Lingerie, Espinheira Santa, Tucana, Morena Bakana, Mauela by Quattro Group, Coral Reef, Milon e Associação Pró-CREP. O evento também traz marcas de outros mercados brasileiros, como Shoulder, Foxton e Kallil Nepomuceno, além de representantes de diferentes regiões do país.
Marcas de estados como Rio de Janeiro, Paraíba, Rio Grande do Sul, Maranhão e Ceará se encontram em Florianópolis, levando para a passarela diferentes sotaques estéticos, identidades e modelos de negócio. A participação internacional amplia ainda mais esse mapa, com profissionais e criadores de países como México, Peru, Chile e Argentina, especialmente dentro da programação LATAMFW Brasil, Latinoamérica Fashion Week Brasil.
Com isso, Florianópolis passa a funcionar durante três dias como uma espécie de vitrine concentrada da moda brasileira e latino-americana.
Em um lugar criado para conectar pessoas, cidades e países, o SCFW transforma a circulação em parte da própria narrativa do evento. A moda encontra o turismo, o varejo encontra a indústria e as marcas encontram novos públicos.
Além dos desfiles, a programação reúne talks, experiências, networking e iniciativas de formação. Entre elas está o SCFW Revela, projeto dedicado à descoberta de novos estilistas brasileiros, que nesta edição parte do tema “Moda que Revela Identidade”.


