Artista da dança de Itajaí estreia em Canelinha, dentro do projeto Laboratório Corpo e Dança

Maria Schwatz

Um programa que exige mudança de práticas artísticas a partir de questões sobre a dança contemporânea, a natureza e a sustentabilidade, uma criação em sintonia com os dilemas contemporâneos em relação à história humana no planeta. A definição serve ao Laboratório Corpo e Dança, viabilizado pela Lei nº 15.503, de 29 de junho de 2011, que contempla formação em dança, a execução de uma proposta solo e trocas de aprendizagem com a mentoria. A iniciativa se dá por um processo de seleção, apoio financeiro e circulação no Estado, em setembro.


Maria Schwatz, moradora de Itajaí (SC), e Cariú BM, que vive em Florianópolis (SC), conquistaram as vagas. Os quatro meses de encontros entre as mentoras Adriana Barreto e Jussara Xavier e os artistas resultam em dois novos trabalhos de dança contemporânea. Schwartz monta “O Castelo de Maria Cecília” e Cariú BM, “Persistência: Estudos para Corpos Compostáveis”, solos que ganham mostra pública em Canelinha, Florianópolis, São José e Joinville (serviço, abaixo). A circulação abarca espaços de arte, escola pública, teatro, casa de cultura e um laboratório cênico. O acesso é gratuito.


A estreia, em Canelinha, é na próxima quinta-feira, no dia 3, às 15 horas, no Espaço de Artes Galeão, onde o público pode apreciar dança contemporânea a partir de temas aparentemente ordinários como os rastros, os vestígios e os resíduos das experiências cotidianas, a vida dos humanos e também a dos moluscos, seres apropriados por Schwatz. Pesquisadora e bailarina no projeto Aiapá, professora no Serviço Social do Comércio (Sesc/Itajaí) e no projeto Corpo de Baile, ela também atua como produtora cultural em dança, música e audiovisual. “Estéreo”, trabalho mais recente como produtora, diretora e bailarina, é o primeiro espetáculo montado pelo Grupo Aiapá. Integrou os grupos Porta 3 Núcleo contemporâneo e Eliane Fetzer Núcleo Contemporâneo em Curitiba (2018/22).

Novas poéticas

Neste projeto, alertam as mentoras, a dança contemporânea não é compreendida como modalidade, mas como um campo aberto e instável de proposições singulares para o pensamento e ação no corpo em suas relações com o ambiente. Corpo não é uma identidade fechada em um padrão e uma imagem idealizada, mas como possibilidade criativa única que se movimenta e se expressa em função de um plano de pesquisa próprio.
No processo seletivo do programa, Maria Schwatz e Cariú BM submeteram um plano de pesquisa e composição solo que associa dança e sustentabilidade. “O Castelo de M. Cecília”, criação e dança de Schwatz, pesquisa os modos de mover e de se comportar de diferentes moluscos, investigando suas relações com as intervenções humanas nos ambientes costeiros. Na busca por outras corporeidades, a pesquisa experimenta no corpo princípios observados em moluscos, como pontos de apoio, deslocamentos, isolamentos, volume, contração e fluidez. Ao mesmo tempo, objetos e resíduos sólidos encontrados nas regiões costeiras de Itajaí e Florianópolis são incorporados à composição como elementos que interferem diretamente na ação do corpo. Assim como o molusco, que ao encontrar um objeto adapta-se às novas condições, reorganizando seu modo de mover, o corpo em cena se modifica no encontro com as coisas.


“Embora partam de universos distintos, suas pesquisas dialogam pela capacidade de transformar observação, memória e matéria em experiência poética. Maria iniciou recentemente sua graduação em oceanografia e vem construindo uma investigação que aproxima conhecimentos científicos e artísticos. Sua pesquisa observa os comportamentos de diferentes classes de moluscos, refletindo sobre os resíduos retirados das praias e oceanos, os processos de filtragem realizados por esses organismos e os impactos da acidificação das águas sobre suas estruturas. A dança surge como uma forma de traduzir comportamentos, de pensar as relações ecológicas e ambientais em movimento, criando conexões entre corpo, natureza e consciência ambiental”, contextualiza a mentora Jussara Xavier. Na investigação, de acordo com ela, os resíduos aparecem como vestígios de experiências, afetos e transformações. Uma dança, cuja gênese, está naquilo que permanece após os processos vividos: as marcas, as falhas, os rabiscos, as sobras, tudo o que permanece no corpo, similar a uma arqueologia íntima, a memória corporal e os rastros que compõem uma identidade.


“Persistência: Estudos para Corpos Compostáveis”, criação e dança de Cariú BM, conta com a participação especial de Ana Otero. O artista investiga aquilo que permanece após um processo. “Qual é o resíduo que resta ao fim de uma elaboração, pergunta ela, que propõe uma arqueologia de si através do movimento, da escrita e da observação cotidiana. Entre vestígios, falhas, repetições e retornos, a criação percorre os rastros de experiências vividas, desejos abandonados e sentidos recorrentes. O corpo torna-se campo de escavação: coleta fósseis de gestos, reativa o esquecido e dança o que sobrevive ao êxtase, à ressaca, à conclusão e ao esquecimento. Ao longo da pesquisa, resíduos corporais e materiais são recolocados em circulação em composições marcadas pela espiral, pelo acúmulo e ciclos em contínua transformação. Um exercício de escuta das sobras, das falhas e das permanências. “Uma dança para tudo aquilo que ficou para trás antes mesmo de repousar — e que, apesar disso, continua encontrando um retorno”, diz o artista.

Equipe técnica
Projeto e coordenação: Jussara Xavier
Mentoria artística: Adriana Barreto e Jussara Xavier
Artistas pesquisadoras/res – bolsistas: Cariú BM e Maria Schwatz
Participação especial: Ana Otero
Produção: Monica Siedler
Design gráfico: Adriana Barreto
Produção de conteúdo e assessoria de imprensa: Néri Pedroso
Fotografia: Ana Xavier
Tradução e interpretação em libras: Joanna Bruna Tiepo
Classificação indicativa: livre

Agenda – Circulação em Santa Catarina
3.9.2026, 15h, Espaço de Artes Galeão, av. Joaquim José de Sant´Anna,
s/nº, Centro, Canelinha

8.9.2026, 20h15, auditório da Escola Básica Municipal Professora
Herondina Medeiros Zeferino, servidão Três Marias, 1072, Ingleses,
Florianópolis

15.9.2026, 19h30, Teatro da Ubro, rua Pedro Soares, 15, Centro,
Florianópolis

11.9.2026, 19h30, Casa de Cultura Nésia Melo da Silveira, rua Padre
Macário, 64, Centro, São José

29.9.2026, 18h15, Laboratório Cênico – Escola do Teatro Bolshoi no Brasil, av. José Vieira, 315, América, Joinville

Saiba mais:
Site: https://midiatecadedanca.com/
Instagram: @midiateca_de_danca

Este projeto foi viabilizado pela Lei nº 15.503, de 29 de junho de 2011.

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